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Direito Constitucional · Capítulo 10

Controle de constitucionalidadeDireitos fundamentais e relações internacionaisOrganização do Estado e Administração Pública

Itens do edital:

  • 5. Controle de constitucionalidade: teoria da inconstitucionalidade; sistema de controle de constitucionalidade
  • 6. Princípios, Direitos e Garantias Fundamentais: fundamentos, objetivos e princípios das relações internacionais; Direitos e Deveres individuais e coletivos; remédios constitucionais; Direitos Sociais, nacionalidade, cidadania e direitos políticos
  • 7. Organização do Estado e Administração Pública: Organização Político-Administrativa; Administração Pública

10.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Um partido político com representação no Congresso Nacional pretende questionar, diretamente no Supremo Tribunal Federal, lei federal que considera incompatível com a Constituição Federal. Qual instrumento é adequado?

  1. A)Ação direta de inconstitucionalidade, proposta por legitimado do art. 103 da Constituição.
  2. B)Habeas corpus, porque a lei pode afetar direitos dos eleitores.
  3. C)Ação popular, proposta por qualquer cidadão contra lei em tese.
  4. D)Recurso extraordinário, antes de existir decisão judicial em caso concreto.

P2inédita

Uma pessoa quer conhecer informações pessoais sobre si, mantidas em banco de dados de entidade governamental, e, se necessário, corrigir dado inexato. Qual remédio constitucional corresponde a esse objetivo?

  1. A)Mandado de injunção.
  2. B)Habeas data.
  3. C)Mandado de segurança coletivo.
  4. D)Ação popular.

P3inédita

Uma Câmara Municipal discute se pode legislar sobre horário de funcionamento do comércio local, respeitadas as normas federais e estaduais aplicáveis. Qual fundamento constitucional ampara a competência municipal?

  1. A)Competência privativa da União para legislar sobre direito comercial.
  2. B)Competência municipal para legislar sobre assuntos de interesse local.
  3. C)Competência concorrente dos Municípios com a União e os Estados em qualquer matéria.
  4. D)Competência residual dos Municípios para legislar sobre tudo o que a Constituição não proíbe.

10.2 O que cai

  • 5. Controle de constitucionalidade: teoria da inconstitucionalidade; sistema de controle de constitucionalidade: 238 questões da banca, 2020–2026
  • 6. Princípios, Direitos e Garantias Fundamentais: fundamentos, objetivos e princípios das relações internacionais; Direitos e Deveres individuais e coletivos; remédios constitucionais; Direitos Sociais, nacionalidade, cidadania e direitos políticos: 925 questões da banca, 2020–2026
  • 7. Organização do Estado e Administração Pública: Organização Político-Administrativa; Administração Pública: 912 questões da banca, 2020–2026

10.3 Teoria

Este capítulo reúne pontos constitucionais cobrados em situações práticas: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais e fiscalização da Administração Pública. Foque nas competências, exceções e efeitos de cada instituto.

10.3.1 Controle de constitucionalidade

O controle de constitucionalidade verifica se leis e atos normativos são compatíveis com a Constituição. No Brasil, há controle difuso e concentrado. No difuso, qualquer juiz ou tribunal pode examinar a questão no caso concreto. No concentrado, o STF examina ações próprias contra normas em tese, nos limites de sua competência constitucional.

Quando um tribunal declara a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, aplica-se a reserva de plenário: exige-se o voto da maioria absoluta dos membros do tribunal ou do órgão especial. Órgão fracionário não pode contornar essa regra deixando de aplicar norma por fundamento constitucional. Há exceção quando já existe pronunciamento do plenário do próprio tribunal ou do Plenário do STF sobre a questão, conforme a Súmula Vinculante 10.

A reserva de plenário não se aplica ao exame de direito pré-constitucional incompatível com a Constituição posterior. Nesse caso, não se declara inconstitucionalidade superveniente: verifica-se se a norma foi recepcionada. Se incompatível, ela não foi recepcionada e o órgão fracionário pode deixar de aplicá-la sem remeter a questão ao plenário.

Além do controle federal, os Estados instituem representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, julgada pelo Tribunal de Justiça. A Constituição Estadual não pode atribuir a legitimação para agir a um único órgão.

A ADPF é ação de controle concentrado perante o STF e tem caráter subsidiário: não cabe quando houver outro meio eficaz para sanar a lesividade. A indisponibilidade do interesse público não impede, por si só, soluções consensuais em processos constitucionais. O acordo pode ser submetido ao STF para homologação, sem retirar do Tribunal a função de examinar a compatibilidade constitucional e preservar os direitos envolvidos. Não confunda acordo sobre os termos da controvérsia com renúncia ao controle constitucional.

Esquema

Formas de controle

Controle constitucional

  • Difuso

    Caso concreto; juiz ou tribunal.

  • Concentrado

    Ações próprias perante o STF, conforme competência.

  • Reserva de plenário

    Maioria absoluta do plenário ou órgão especial.

10.3.2 Direitos fundamentais e relações internacionais

A Constituição apresenta fundamentos da República no art. 1º, objetivos fundamentais no art.

3º e princípios que regem as relações internacionais no art. 4º. Entre estes estão a independência nacional, a prevalência dos direitos humanos, a autodeterminação dos povos e a solução pacífica dos conflitos. A solução pacífica orienta a atuação externa do Brasil; não significa que o país renuncie à soberania ou às garantias constitucionais.

Nos direitos e deveres individuais e coletivos, memorize a regra da requisição administrativa: em caso de iminente perigo público, a autoridade competente pode usar propriedade particular, e o proprietário tem direito a indenização ulterior se houver dano. A indenização não é prévia. Essa regra não se confunde com desapropriação, que segue regime próprio.

Os remédios constitucionais protegem direitos contra ilegalidade ou abuso: habeas corpus tutela a liberdade de locomoção; mandado de segurança protege direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data; habeas data dá acesso ou permite retificação de dados pessoais; mandado de injunção enfrenta falta de norma que inviabilize direito constitucional; ação popular permite ao cidadão buscar a invalidação de ato lesivo aos bens protegidos pela Constituição. Direitos sociais estão principalmente no art. 6º. Nacionalidade, direitos políticos e cidadania têm disciplina própria nos arts. 12 a 16. Confira o dispositivo específico antes de aplicar requisitos de elegibilidade, perda ou suspensão de direitos políticos.

Esquema

Remédios constitucionais

Proteção de direitos

  • Habeas corpus

    Liberdade de locomoção.

  • Mandado de segurança

    Direito líquido e certo.

  • Habeas data

    Acesso ou retificação de dados pessoais.

  • Mandado de injunção

    Falta de norma que inviabiliza direito constitucional.

  • Ação popular

    Ato lesivo aos bens protegidos pela Constituição.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · IRBR 26 DIPLOMACIA 2026

Acerca dos princípios que regem as relações internacionais do Brasil constantes na CF, da Corte Internacional de Justiça, de tratados e organizações internacionais, julgue os próximos itens. O princípio da solução pacífica dos conflitos coaduna-se com a ratificação, pelo Brasil, do Tratado Americano de Soluções Pacíficas, pelo qual o país reconheceu a jurisdição compulsória da Corte Internacional de Justiça.

(  ) Certo    (  ) Errado

Resposta: Certo

Conceito: A solução pacífica dos conflitos é princípio que rege o Brasil nas relações internacionais.

Raciocínio: A Constituição inclui a solução pacífica dos conflitos entre os princípios internacionais brasileiros. O Tratado Americano de Soluções Pacíficas, conhecido como Pacto de Bogotá, prevê compromissos de solução pacífica e mecanismos jurisdicionais, inclusive perante a Corte Internacional de Justiça, conforme os termos do tratado e a posição brasileira. O item está certo.

Pegadinha: Não confunda a jurisdição da Corte Internacional de Justiça com a do Tribunal Penal Internacional: são tribunais distintos e têm competências diferentes.

Base: Constituição da República, art. 4º, VII; Tratado Americano de Soluções Pacíficas (Pacto de Bogotá), especialmente arts. XXXI e XXXII.

10.3.3 Organização do Estado e Administração Pública

A organização político-administrativa compreende União, estados, Distrito Federal e municípios, todos autônomos nos termos da Constituição. Autonomia não equivale a soberania. A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes observa os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no art. 37, caput.

O controle externo federal é exercido pelo Congresso Nacional com auxílio do Tribunal de Contas da União. O TCU fiscaliza recursos federais mesmo quando transferidos a estado ou município por convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere. A origem federal do recurso mantém a competência de fiscalização da União sobre sua aplicação; isso não transforma o TCU em instância recursal geral dos tribunais de contas estaduais ou municipais.

A Constituição prevê regime próprio de previdência para servidores titulares de cargos efetivos, contributivo e solidário, com contribuição do ente público, dos servidores ativos, aposentados e pensionistas, observados os critérios constitucionais. A jurisprudência do STF admite cassação de aposentadoria como sanção disciplinar quando a infração funcional foi praticada na atividade e a penalidade é aplicada conforme o devido processo legal. O caráter contributivo do regime não cria imunidade disciplinar nem impede, por si só, a sanção. A banca costuma opor contribuição previdenciária e responsabilidade funcional: são planos distintos.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · CÂMARA DOS DEPUTADOS 26 PLF 2026

Julgue os itens que se seguem, relativos à organização do Estado, aos princípios fundamentais e à administração pública, à luz do disposto na Constituição Federal de 1988 e da jurisprudência do STF. A aplicação da penalidade de cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor é compatível com o caráter contributivo e solidário do regime próprio de previdência dos servidores públicos.

(  ) Certo    (  ) Errado

Resposta: Certo

Conceito: A natureza contributiva e solidária do regime próprio de previdência não impede a cassação de aposentadoria como sanção por falta funcional grave, conforme a jurisprudência do STF.

Raciocínio: O caráter contributivo do RPPS não transforma a aposentadoria em proteção contra sanção disciplinar por infração praticada durante o exercício do cargo. O STF reconhece a compatibilidade constitucional da cassação de aposentadoria decorrente de processo disciplinar, observado o devido processo legal. O item está certo.

Pegadinha: Não confunda devolução de contribuições previdenciárias com sanção disciplinar: a contribuição não elimina a responsabilidade funcional.

Base: Constituição da República, art. 40, caput; STF, jurisprudência sobre constitucionalidade da pena de cassação de aposentadoria de servidor público submetido a processo administrativo disciplinar.

Pegadinha da banca

Órgão fracionário

A reserva de plenário impede órgão fracionário de declarar a inconstitucionalidade ou afastar norma posterior à Constituição por esse fundamento. Não se aplica ao juízo de não recepção de norma pré-constitucional.

Pegadinha da banca

Requisição administrativa

No perigo público iminente, o uso da propriedade pode ser imediato; a indenização é ulterior e depende da ocorrência de dano.

Atenção

Controle de recursos federais

O TCU fiscaliza a aplicação de recursos da União transferidos a outros entes por convênio ou instrumento congênere.

10.4 Exemplo resolvido

Um tribunal, por órgão fracionário, deixa de aplicar uma lei por considerá-la incompatível com a Constituição, sem que o plenário do tribunal ou o STF tenha previamente decidido a questão. Assinale a alternativa correta. A) A decisão é livre, pois apenas o controle concentrado exige plenário. B) A decisão viola a reserva de plenário. C) A decisão é válida desde que unânime. D) A decisão produz automaticamente efeitos gerais.

  1. Identifique que se trata de tribunal e de afastamento de lei por fundamento constitucional.
  2. A Constituição reserva a declaração de inconstitucionalidade à maioria absoluta do plenário ou do órgão especial.
  3. Não há pronunciamento anterior que autorize a exceção; unanimidade do órgão fracionário não substitui o plenário.

Resposta: B) A decisão viola a reserva de plenário, prevista no art. 97 da CF/88.

10.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo da banca.

F1inédita

Uma entidade legitimada propõe ADPF para contestar ato do poder público que, segundo alega, viola preceito fundamental. Antes do julgamento, verifica-se que existe outro meio eficaz capaz de sanar a lesividade. À luz da lei que disciplina a ADPF, como deve ser tratada a ação?

  1. A)Deve ser admitida, pois a subsidiariedade não se aplica a atos do poder público.
  2. B)Não será admitida, pois a ADPF não cabe quando houver outro meio eficaz de sanar a lesividade.
  3. C)Deve ser convertida automaticamente em ação popular.
  4. D)Só pode prosseguir se o ato impugnado for lei federal posterior à Constituição.

F2inédita

O Supremo Tribunal Federal declara a inconstitucionalidade por omissão de medida necessária à efetividade de norma constitucional. Qual providência prevê a Constituição Federal?

  1. A)Dar ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, tratando-se de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.
  2. B)Revogar diretamente a norma constitucional cuja eficácia esteja comprometida.
  3. C)Substituir o órgão omisso e editar, em qualquer hipótese, a regulamentação faltante.
  4. D)Suspender automaticamente todas as leis relacionadas à matéria até que o Congresso delibere.

F3inédita
Uma associação regularmente constituída há dois anos aprova, em assembleia, a expulsão de um associado. Ele sustenta que a Constituição impede sua exclusão contra a vontade dele. Qual afirmação está correta?

  1. A)A associação pode excluí-lo conforme as regras estatutárias e o devido processo associativo; a Constituição veda obrigar alguém a associar-se ou permanecer associado.
  1. B)A Constituição impede qualquer exclusão de associado, ainda que haja justa causa e defesa.
  2. C)A associação somente pode excluí-lo com autorização judicial prévia.
  3. D)A liberdade de associação garante imunidade a toda decisão interna, mesmo sem defesa ou observância do estatuto.

F4inédita

Durante o serviço militar obrigatório, um conscrito pretende registrar sua candidatura a vereador. Considerando as regras constitucionais sobre direitos políticos, qual é a solução?

  1. A)Pode candidatar-se, pois todo brasileiro alistável é elegível sem exceção.
  2. B)Não pode alistar-se como eleitor durante o serviço militar obrigatório e, portanto, não pode candidatar-se nesse período.
  3. C)Pode candidatar-se apenas se tiver autorização do comandante da unidade.
  4. D)Pode candidatar-se, mas a Constituição suspende automaticamente seu mandato após a eleição.

F5inédita
Uma autarquia estadual pretende preencher cargo efetivo de analista por contratação direta, sem concurso, alegando urgência permanente de pessoal. Qual regra constitucional se aplica?

  1. A)O concurso é dispensável para qualquer cargo de autarquia, desde que haja urgência administrativa.
  1. B)A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso, ressalvados os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
  2. C)A exigência de concurso vale somente para órgãos da administração direta da União.
  3. D)A autarquia pode substituir o concurso por entrevista, se divulgar previamente os critérios.

F6inédita

Uma servidora ocupa dois cargos públicos de professora e os horários são compatíveis. À luz da Constituição, qual alternativa descreve corretamente a possibilidade de acumulação?

  1. A)É vedada em qualquer hipótese, pois a Constituição proíbe toda acumulação remunerada de cargos públicos.
  2. B)É permitida, desde que haja compatibilidade de horários e respeito ao teto constitucional, observada a hipótese de dois cargos de professor.
  3. C)É permitida mesmo sem compatibilidade de horários, pois ambos os cargos são de professora.
  4. D)É permitida apenas se um dos cargos for estadual e o outro municipal.

10.6 Questões da banca

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · MP/MT 2026
A associação Alfa ajuizou ação civil pública em face do Município Sigma, em demanda que apresenta grande benefício para a coletividade, não sendo identificada a atuação do Ministério Público no curso da relação processual em primeira instância. A sentença proferida pelo juízo monocrático foi favorável a Alfa, tendo se embasado na Lei estadual nº X/1985 (LEX). Interposto o recurso de apelação perante órgão fracionário do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, o Procurador de Justiça foi intimado e, atuando como órgão interveniente, argumentou com a desconformidade constitucional da LEX. Na situação descrita, é correto afirmar que

  1. A)o órgão fracionário deve submeter a discussão sobre a constitucionalidade da LEX ao Tribunal Pleno.
  1. B)o Procurador de Justiça não tem legitimidade para atuar em detrimento do provimento jurisdicional favorável a Alfa.
  2. C)o órgão fracionário deve apreciar a conformidade, ou não, da LEX com a Constituição da República ou a Constituição Estadual, podendo deixar de aplicá-la em caso de desconformidade.
  3. D)o órgão fracionário deve submeter a discussão sobre a constitucionalidade da LEX ao Tribunal Pleno, de modo que a decisão possa produzir efeitos erga omnes, caso haja requerimento de um dos sujeitos do processo.
  4. E)o órgão fracionário deve apreciar a conformidade, ou não, da LEX com a Constituição da República ou a Constituição Estadual, caso haja, respectivamente, decisão anterior do Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal de Justiça sobre a matéria.

Q2oficial · TCE/SC 2026
O Tribunal de Contas da União (TCU) é órgão de controle externo responsável pelo controle da Administração Pública no âmbito federal. Considerando as disposições acerca do tema na Constituição Federal de 1988, é correto afirmar que o TCU

  1. A)em nenhuma hipótese poderá fiscalizar a atuação de órgãos e entidades estaduais e municipais, sendo tal competência exclusiva dos respectivos Tribunais de Contas.
  1. B)poderá fiscalizar a atuação de órgãos e entidades estaduais e municipais no que diz respeito aos recursos repassados a esses pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres.
  2. C)poderá sustar ato ou contrato do órgão Estadual quando não atendida a determinação exarada pelo Tribunal de Contas Estadual respectivo, observados os princípios da accountability e responsabilidade fiscal.
  3. D)é a entidade Superior Fiscalizadora do Estado Brasileiro, tendo competência para reformar, em sede recursal, as decisões exaradas pelos Tribunais de Contas dos Estados.
  4. E)poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria de controle, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos Tribunais de Contas dos Estados e Municípios.

Q3oficial · PGE/AC 2026
A Mesa da Assembleia Legislativa do Estado Gama, com estrita observância da sistemática vigente, ajuizou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra atos praticados por determinado Ministro de Estado, os quais, alegadamente, vinham impondo, nos últimos anos, a redução sistemática da arrecadação do Tesouro Estadual. Por ocasião de sua manifestação, a Advocacia-Geral da União requereu a designação de audiência de conciliação. A Mesa da Assembleia Legislativa observou, corretamente, que

  1. A)como é vedada a desistência da ADPF, a conciliação é incabível.
  1. B)a celebração de acordo é admitida, tendo como antecedente lógico a extinção da ADPF.
  2. C)a conciliação é admitida e produzirá eficácia vinculante e efeitos erga omnes após a sua homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
  3. D)em razão da indisponibilidade dos interesses envolvidos, os métodos autocompositivos são incompatíveis com a jurisdição constitucional.
  4. E)é possível a celebração de acordo e a correlata homologação pelo Supremo Tribunal Federal, o que não obsta que o Tribunal realize sua missão constitucional.

Q4oficial · UNE AL 26 2026

A respeito dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, julgue os itens subsequentes. No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização prévia.

(  ) Certo    (  ) Errado

Q5oficial · ALE/RO 2026
A Mesa da Assembleia Legislativa do Estado Beta (ALEB), ao tomar conhecimento da edição do Decreto nº X (DX), editado pelo Governador do Estado Delta, entendeu que esse ato, de caráter geral e abstrato, que expressa o exercício de um poder normativo primário, tinha por objeto temática afeta ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS), e afrontava interesses do Estado Beta. Por tal razão, seria dissonante da Constituição da República. Na situação descrita, é correto afirmar que

  1. A)O DX não pode ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade perante o STF.
  1. B)a Mesa da ALEB não tem legitimidade para deflagrar o controle concentrado de constitucionalidade de norma de outro ente federativo.
  2. C)o Procurador da ALEB não tem legitimidade para interpor recursos na ação de controle concentrado de constitucionalidade que seja ajuizada perante o STF.
  3. D)a Mesa da ALEB tem legitimidade para deflagrar o controle concentrado de constitucionalidade perante o STF, sendo a arguição de descumprimento de preceito fundamental a ação cabível.
  4. E)somente o Governador do Estado Beta, não a Mesa da ALEB, por ser o DX ato do Poder Executivo, tem legitimidade para deflagrar o controle concentrado de constitucionalidade perante o STF.

Q6oficial · MP/GO 2026

Assinale a opção que indica conduta expressamente criminalizada pela Constituição da República de 1988.

  1. A)A constituição de organização criminosa.
  2. B)A retenção dolosa do salário.
  3. C)A lavagem de dinheiro.
  4. D)A violência doméstica e familiar contra a mulher.
  5. E)A redução à condição análoga à de escravo.

Q7oficial · MP/RJ 2026
A Lei Estadual nº 001, do Estado Alfa, passou a regulamentar o serviço de transporte individual de passageiros realizado por motocicletas mediante plataformas digitais. O referido diploma normativo estabeleceu que a atividade somente poderia ser exercida nos municípios do Estado Alfa que editassem ato próprio, autorizando expressamente a sua prestação e disciplinando as respectivas condições de funcionamento. Assim, na ausência de lei ou decreto municipal específico, ficaria vedado aos condutores de motocicleta realizar transporte de passageiros, por meio de aplicativos, no território do respectivo município. Na exposição de motivos do projeto que deu origem à lei, sustentou-se que a medida buscava resguardar a segurança dos consumidores do serviço, tendo em vista o elevado número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Estado Alfa. Sobre a constitucionalidade da referida lei, considerando os fatos acima à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), assinale a afirmativa correta.

  1. A)É formalmente inconstitucional, porque é competência privativa da União legislar sobre trânsito e transporte, e é materialmente inconstitucional, pois viola os princípios constitucionais da livre iniciativa, da livre concorrência e da proteção ao consumidor.
  1. B)É constitucional, pois o Estado Alfa agiu no exercício de sua competência concorrente para legislar sobre proteção ao consumidor e defesa da saúde.
  2. C)É constitucional, pois o Estado Alfa agiu no exercício de sua competência concorrente para legislar sobre trânsito e transporte.
  3. D)É materialmente constitucional, porque estabelece restrição proporcional e razoável à livre iniciativa e ao direito de escolha dos usuários do serviço, e é formalmente inconstitucional, pois é da competência privativa da União legislar sobre trânsito e transportes.
  4. E)É materialmente constitucional, porque estabelece restrição proporcional e razoável à livre iniciativa e ao direito de escolha dos usuários do serviço, e é formalmente inconstitucional, pois regulamentar e fiscalizar o transporte remunerado privado individual de passageiros é atribuição exclusiva dos Municípios e do Distrito Federal.

Q8oficial · SEMEC PORTO VELHO/RO 26 2026
No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 4.650, relativa a dispositivos legais que autorizavam doações de pessoas jurídicas a partidos políticos e campanhas eleitorais, o STF

  1. A)assentou que o princípio da igualdade política impede que candidatos utilizem recursos próprios em suas campanhas, uma vez que a capacidade econômica individual compromete as mesmas condições de disputa entre os concorrentes.
  1. B)declarou a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos, estendendo a vedação às pessoas naturais que exerçam atividade empresarial, já que, nessa hipótese, o risco de captura do processo político pelo poder econômico é equivalente ao das doações por pessoas jurídicas.
  2. C)declarou a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos, por violação ao princípio democrático e ao da igualdade política, mantendo a validade das doações por pessoas naturais e do uso de recursos próprios pelos candidatos, respeitados os critérios normativos vigentes.
  3. D)declarou a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos, mas condicionou os efeitos da decisão à edição de novo marco normativo pelo Congresso Nacional, em cuja pendência as doações por pessoas jurídicas permaneceram válidas.
  4. E)reconheceu a constitucionalidade dos referidos dispositivos, por entender que a liberdade de expressão política das empresas é protegida constitucionalmente.

10.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A ação direta de inconstitucionalidade permite o controle abstrato de lei ou ato normativo federal ou estadual em face da Constituição Federal.
Raciocínio: A questão apresenta lei federal contestada em tese perante o STF. Partido político com representação no Congresso Nacional está entre os legitimados constitucionais. Cabe ADI, conforme a alternativa A.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Habeas corpus protege a liberdade de locomoção contra ilegalidade ou abuso de poder; não serve para impugnar lei em tese.
  • C: A ação popular protege o patrimônio público, a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico-cultural contra ato lesivo; não é via de controle abstrato de lei em tese.
  • D: Recurso extraordinário pressupõe causa decidida em única ou última instância e não é ação direta contra lei em tese.
Pegadinha: A representação parlamentar torna o partido legitimado para ADI; não transforma a ação popular ou o habeas corpus em controle abstrato.
Base: Constituição Federal, arts. 102, I, a, e 103, VIII.
Questão irmã: Uma confederação sindical nacional pode propor ADI no STF contra lei estadual? Gabarito: Sim, se atender aos requisitos constitucionais de legitimidade e pertinência temática.

P2inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: O habeas data assegura conhecimento e retificação de informações relativas à pessoa do impetrante em registros ou bancos de dados governamentais ou de caráter público.
Raciocínio: O pedido envolve dados pessoais do próprio interessado e pretende acessá-los ou corrigi-los. Essas são finalidades expressas do habeas data, portanto a alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Mandado de injunção combate a falta de norma regulamentadora que inviabilize o exercício de direito ou prerrogativa constitucional.
  • C: Mandado de segurança coletivo protege direito líquido e certo coletivo ou individual homogêneo, não é o remédio específico para acessar dados pessoais do impetrante.
  • D: A ação popular é proposta por cidadão para anular ato lesivo aos bens e valores protegidos pela Constituição, não para consultar cadastro pessoal.
Pegadinha: O habeas data trata de informações relativas ao próprio impetrante, e não de dados pessoais de terceiros.
Base: Constituição Federal, art. 5º, LXXII, alíneas a e b.
Questão irmã: Qual remédio permite ao titular pedir a retificação de dado pessoal incorreto em cadastro público? Gabarito: Habeas data.

P3inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: Compete ao Município legislar sobre assuntos de interesse local, sem afastar as competências constitucionais dos demais entes.
Raciocínio: A disciplina do funcionamento do comércio local é matéria de interesse local, conforme a jurisprudência constitucional. A competência encontra fundamento no art. 30, I, da Constituição; por isso, a alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A invoca competência federal sobre direito comercial, mas o horário local de funcionamento, no contexto descrito, é questão de interesse local.
  • C: A alternativa C atribui aos Municípios competência concorrente geral, que a Constituição não lhes confere nesses termos.
  • D: A competência residual é atribuída aos Estados, nos termos do art. 25, § 1º, e não aos Municípios.
Pegadinha: A competência local não significa poder municipal irrestrito nem elimina normas federais e estaduais válidas.
Base: Constituição Federal, art. 30, I; STF, Súmula Vinculante 38 (horário de funcionamento de estabelecimento comercial).
Questão irmã: A fixação do horário de funcionamento do comércio local pode ser objeto de lei municipal? Gabarito: Sim, por se tratar de interesse local, observadas as normas aplicáveis.

F1inéditaResposta: B

Conceito: A ADPF tem caráter subsidiário e não será admitida quando houver outro meio eficaz de sanar a lesividade.
Raciocínio: O caso informa que há outro meio eficaz disponível. A Lei nº 9.882/1999 impede a admissão da ADPF nessa hipótese. A alternativa B reproduz a regra legal.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A subsidiariedade não desaparece porque o ato é do poder público; a regra legal alcança a arguição em geral.
  • C: A lei não prevê conversão automática de ADPF em ação popular.
  • D: A ADPF pode alcançar atos do poder público e não se limita a lei federal posterior à Constituição.
Pegadinha: A existência de outro meio precisa ser eficaz para sanar a lesividade; a mera possibilidade abstrata de outra ação não resolve a questão sem esse exame.
Base: Lei nº 9.882/1999, art. 4º, § 1º.
Questão irmã: A ADPF pode ser admitida se não houver outro meio eficaz de sanar lesão a preceito fundamental? Gabarito: Sim, desde que cumpridos os demais requisitos legais.

F2inéditaResposta: A

Conceito: No controle abstrato da omissão, a Constituição prevê que o STF dê ciência ao Poder competente para as providências necessárias.
Raciocínio: Reconhecida a omissão inconstitucional, o Tribunal comunica o Poder competente. Se a omissão for de órgão administrativo, a Constituição fixa prazo de trinta dias para a adoção das providências, ressalvada a possibilidade de prazo razoável excepcional prevista na legislação. A alternativa A enuncia a regra constitucional.
Por que as outras estão erradas:
  • B: O controle da omissão não autoriza revogar norma constitucional; o objeto é a falta de medida necessária à sua efetividade.
  • C: A Constituição não atribui ao STF competência geral para substituir o legislador ou regulamentar toda matéria omitida.
  • D: A declaração de omissão não suspende automaticamente todas as leis relacionadas ao tema.
Pegadinha: O prazo de trinta dias refere-se à omissão de órgão administrativo, não indistintamente a todo Poder competente.
Base: Constituição Federal, art. 103, § 2º; Lei nº 9.868/1999, art. 12-H, § 1º.
Questão irmã: Declarada omissão de órgão administrativo em ação direta, qual prazo constitucional ordinário se aplica às providências? Gabarito: Trinta dias, ressalvado prazo razoável excepcional fixado pelo STF nos termos legais.

F3inéditaResposta: A

Conceito: A liberdade de associação inclui a garantia de que ninguém será compelido a associar-se ou a permanecer associado.
Raciocínio: A Constituição protege a liberdade de ingresso e de permanência voluntária, mas não torna impossível a exclusão feita de acordo com a lei e com as regras associativas, asseguradas as garantias aplicáveis. A alternativa A apresenta essa distinção.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A garantia de não ser obrigado a permanecer associado não se converte em imunidade absoluta contra exclusão regular.
  • C: A Constituição não estabelece autorização judicial prévia geral para exclusão de associado.
  • D: A autonomia associativa não elimina a observância da lei, do estatuto e das garantias de defesa pertinentes.
Pegadinha: Não confunda o direito de não ser forçado a permanecer na associação com um direito absoluto de permanecer nela contra regras legítimas de exclusão.
Base: Constituição Federal, art. 5º, XVII a XXI; Código Civil, arts. 53 a 61, especialmente art. 57.
Questão irmã: Uma pessoa pode ser obrigada por lei a continuar associada a uma entidade privada? Gabarito: Não; ninguém pode ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.

F4inéditaResposta: B

Conceito: Os conscritos, durante o serviço militar obrigatório, são inalistáveis e, por consequência, não podem concorrer a cargo eletivo nesse período.
Raciocínio: A Constituição exclui os conscritos do alistamento eleitoral enquanto prestam o serviço militar obrigatório. Como a elegibilidade pressupõe alistamento eleitoral, a candidatura não é possível nesse período. A alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora a exceção constitucional dos conscritos durante o serviço militar obrigatório.
  • C: A Constituição não prevê autorização do comandante como forma de afastar a inalistabilidade.
  • D: A consequência constitucional é a inalistabilidade no período, não a suspensão automática de eventual mandato.
Pegadinha: A restrição refere-se ao conscrito durante o serviço militar obrigatório; não se estende indistintamente a todo militar ou a todo reservista.
Base: Constituição Federal, art. 14, § 2º; art. 14, § 3º, III.
Questão irmã: Um conscrito que esteja cumprindo serviço militar obrigatório pode alistar-se como eleitor? Gabarito: Não, enquanto durar essa condição.

F5inéditaResposta: B

Conceito: A investidura em cargo ou emprego público exige aprovação prévia em concurso, ressalvados os cargos em comissão previstos em lei.
Raciocínio: A autarquia integra a Administração Pública e o cargo de analista é efetivo, não cargo em comissão. A urgência administrativa permanente não cria exceção à regra constitucional; por isso, a alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Urgência não é exceção geral à exigência constitucional de concurso para cargos efetivos.
  • C: A regra alcança a Administração Pública direta e indireta de todos os entes federativos, inclusive autarquias estaduais.
  • D: Entrevista não substitui o concurso público exigido para investidura em cargo efetivo.
Pegadinha: A contratação temporária para necessidade temporária de excepcional interesse público não equivale à nomeação direta para cargo efetivo.
Base: Constituição Federal, art. 37, caput e inciso II; para contratação temporária, art. 37, IX.
Questão irmã: Uma autarquia estadual pode nomear diretamente para cargo efetivo sem concurso por causa de vacância urgente? Gabarito: Não; aplica-se a exigência do art. 37, II, da Constituição.

F6inéditaResposta: B

Conceito: A Constituição admite, excepcionalmente, a acumulação remunerada de dois cargos de professor, quando houver compatibilidade de horários.
Raciocínio: A situação corresponde a uma das exceções expressas do art. 37, XVI. A compatibilidade de horários é condição necessária, e a acumulação deve observar o teto remuneratório constitucional. A alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A vedação constitucional tem exceções expressas, entre elas dois cargos de professor.
  • C: A compatibilidade de horários é exigida em todas as hipóteses de acumulação permitida.
  • D: A exceção não depende de os cargos pertencerem a entes federativos diferentes; depende da hipótese constitucional e da compatibilidade de horários.
Pegadinha: A autorização para dois cargos de professor não elimina a condição de compatibilidade de horários nem o teto constitucional.
Base: Constituição Federal, art. 37, XVI, a, e inciso XI.
Questão irmã: É constitucional acumular dois cargos de professor com horários incompatíveis? Gabarito: Não; compatibilidade de horários é requisito constitucional.

Q1oficialResposta: C

Conceito: A reserva de plenário não rege o afastamento de lei pré-constitucional por não recepção, pois esse juízo não declara a inconstitucionalidade da norma perante a Constituição posterior.
Raciocínio: A Lei estadual X/1985 antecede tanto a Constituição Federal de 1988 quanto a Constituição Estadual. A incompatibilidade de norma anterior com uma Constituição posterior é resolvida pelo juízo de recepção: a norma incompatível não é recepcionada, e não se declara sua inconstitucionalidade superveniente. Por isso, o órgão fracionário pode deixar de aplicar a lei sem submeter a questão ao Tribunal Pleno. A alternativa C está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A exige a reserva de plenário, mas ela não incide nesse caso de direito pré-constitucional: trata-se de não recepção, não de declaração de inconstitucionalidade.
  • B: A alternativa B erra porque o Ministério Público pode atuar como fiscal da ordem jurídica e se manifestar em sentido contrário ao provimento favorável à parte autora.
  • D: A alternativa D também exige indevidamente a submissão ao Tribunal Pleno; além disso, decisão incidental não produz efeitos erga omnes apenas por requerimento de sujeito do processo.
  • E: A alternativa E condiciona o exame a pronunciamento judicial anterior, mas a não recepção de lei pré-constitucional pode ser reconhecida pelo órgão fracionário sem essa condição.
Pegadinha: Não confunda lei posterior à Constituição, cuja declaração de inconstitucionalidade em tribunal atrai a reserva de plenário, com lei pré-constitucional incompatível, que não é recepcionada.
Base: Constituição da República, arts. 97 e 125, § 2º; Súmula Vinculante 10 do STF; jurisprudência pacífica do STF sobre não recepção de normas pré-constitucionais.
Questão irmã: Lei anterior à Constituição vigente é incompatível com ela. O órgão fracionário pode deixar de aplicá-la sem observar a reserva de plenário? Gabarito: Sim. A incompatibilidade configura não recepção, não declaração de inconstitucionalidade.

Fonte: MP/MT 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q2oficialResposta: B

Conceito: O TCU fiscaliza a aplicação de recursos federais, inclusive quando transferidos a estados e municípios por convênio ou instrumento congênere.
Raciocínio: A competência do TCU acompanha a origem federal dos recursos. Assim, pode fiscalizar a aplicação de verbas da União repassadas a outras esferas federativas mediante convênio, acordo, ajuste ou instrumentos similares. A alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A é absoluta demais: a origem federal dos recursos autoriza fiscalização pelo TCU mesmo quando o dinheiro é aplicado por estado ou município.
  • C: A alternativa C atribui ao TCU poder para sustar diretamente contrato estadual e se apoia indevidamente em decisão do Tribunal de Contas estadual; os mecanismos constitucionais de sustação seguem o art. 71.
  • D: A alternativa D transforma o TCU em instância recursal dos tribunais de contas estaduais. Não existe essa hierarquia.
  • E: A alternativa E atribui ao TCU competência para editar súmula vinculante, prerrogativa que a Constituição reserva ao STF.
Pegadinha: A competência fiscalizatória depende da origem federal do recurso, não apenas do nível federativo da entidade que o recebe.
Base: Constituição da República, art. 70, parágrafo único, e art. 71, II e VI.
Questão irmã: O TCU pode fiscalizar município que aplica recursos federais recebidos por convênio. Certo ou errado? Gabarito: Certo. Constituição, art. 71, VI.

Fonte: TCE/SC 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q3oficialResposta: E

Conceito: A autocomposição pode ocorrer em processo de controle concentrado sem retirar do STF a função de examinar questões constitucionais remanescentes.
Raciocínio: A indisponibilidade do interesse público não impede todo acordo sobre aspectos concretos e disponíveis da controvérsia. O STF pode homologar acordo em ADPF e, ainda assim, examinar questões constitucionais que permaneçam relevantes. A celebração não extingue necessariamente o processo nem substitui a missão constitucional do Tribunal. A alternativa E é correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A confunde a vedação de desistência unilateral da ação com impossibilidade de solução consensual de aspectos da controvérsia.
  • B: A alternativa B supõe que o acordo exige extinção prévia da ADPF, o que não é condição necessária para composição homologada.
  • C: A alternativa C afirma automaticamente eficácia erga omnes e vinculante para qualquer acordo homologado, sem considerar o conteúdo e os limites da decisão.
  • D: A alternativa D trata a indisponibilidade como impedimento absoluto à autocomposição, posição incompatível com a prática jurisdicional constitucional.
Pegadinha: Acordo não equivale a desistência nem impede o STF de prosseguir no exame de questões constitucionais relevantes.
Base: Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre acordos homologados em ADPF e limites da autocomposição em processos de controle concentrado.
Questão irmã: A celebração de acordo em processo de controle concentrado impede necessariamente o STF de examinar questão constitucional remanescente? Gabarito: Não.

Fonte: PGE/AC 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q4oficialResposta: Errado

Conceito: Em caso de iminente perigo público, a autoridade competente pode usar propriedade particular, com indenização ulterior se houver dano.
Raciocínio: A requisição administrativa permite o uso compulsório e temporário de bem particular diante de iminente perigo público. A Constituição não prevê indenização prévia: ela será ulterior e apenas se houver dano. Como o item exige indenização prévia, está errado, conforme a alternativa B.
Por que as outras estão erradas:
  • Certo: A alternativa A troca a indenização ulterior por prévia e omite que a reparação depende da ocorrência de dano.
Pegadinha: Requisição: iminente perigo público, uso imediato e indenização ulterior se houver dano. Não confunda com desapropriação.
Base: Constituição da República, art. 5º, XXV.
Questão irmã: Na requisição administrativa por iminente perigo público, a indenização é prévia e sempre devida. Certo ou errado? Gabarito: Errado. É ulterior e somente se houver dano.

Fonte: UNE AL 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br

Q5oficialResposta: C

Conceito: No controle concentrado perante o STF, os legitimados do art. 103 atuam por representação processual própria, e o advogado ou procurador não tem legitimidade recursal autônoma em nome próprio.
Raciocínio: A Mesa de Assembleia Legislativa é legitimada para propor ADI e ADPF, desde que presente pertinência temática quando exigida. Decreto estadual de caráter autônomo pode ser objeto de controle abstrato. Porém, o procurador da Assembleia não se torna parte nem legitimado para recorrer em nome próprio; os recursos cabem à parte legitimada por seus representantes processuais. Por isso, a alternativa C é correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A afirma impossibilidade absoluta de controle concentrado do decreto. Ato normativo autônomo e geral pode ser objeto de ADI, se atendidos os requisitos.
  • B: A alternativa B ignora a legitimidade expressa das Mesas das Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do DF, nos termos do art. 103, IV.
  • D: A alternativa D indica ADPF como ação adequada sem verificar a existência de outro meio eficaz; além disso, a ADPF é subsidiária. A questão não autoriza afirmar que seja necessariamente a única ação cabível.
  • E: A alternativa E exclui indevidamente a Mesa da Assembleia e atribui legitimidade exclusiva ao governador, contrariando o art. 103.
Pegadinha: Legitimidade para ajuizar a ação é da Mesa da Assembleia, não do procurador individualmente. A ADPF também exige subsidiariedade.
Base: Constituição da República, art. 103, IV; Lei nº 9.882/1999, art. 4º, § 1º; Lei nº 9.868/1999, art. 7º e disciplina recursal.
Questão irmã: O procurador de uma Assembleia Legislativa pode recorrer em ação direta no STF em nome próprio, por ser advogado da Mesa. Certo ou errado? Gabarito: Errado. A legitimidade pertence ao autor constitucional da ação, representado processualmente.

Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q6oficialResposta: B

Conceito: A Constituição determina expressamente que a retenção dolosa do salário constitui crime.
Raciocínio: O art. 7º, X, prevê proteção do salário na forma da lei e estabelece que a retenção dolosa constitui crime. As demais condutas podem ser criminalizadas por legislação infraconstitucional, mas não recebem essa qualificação expressa nesse dispositivo constitucional. A alternativa B é correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A descreve crime previsto em legislação penal, mas não é a conduta expressamente criminalizada pelo dispositivo constitucional cobrado.
  • C: A alternativa C trata de delito definido em lei penal, não de criminalização expressa no texto constitucional nesse ponto.
  • D: A alternativa D pode configurar crimes previstos em lei, mas não é a hipótese indicada expressamente no art. 7º, X.
  • E: A alternativa E se refere a conduta penalmente tipificada em lei, mas não à previsão constitucional específica sobre retenção dolosa do salário.
Pegadinha: A Constituição criminaliza expressamente a retenção dolosa, não toda e qualquer inadimplência salarial.
Base: Constituição da República, art. 7º, X.
Questão irmã: A Constituição qualifica expressamente a retenção dolosa do salário como crime. Certo ou errado? Gabarito: Certo. Constituição, art. 7º, X.

Fonte: MP/GO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q7oficialResposta: A

Conceito: Compete privativamente à União legislar sobre trânsito e transporte, enquanto a regulação local do transporte individual deve respeitar a livre iniciativa e a legislação federal.
Raciocínio: A lei estadual condiciona a prestação do transporte por aplicativo a autorização municipal, impedindo a atividade na ausência de ato local. O STF já afastou restrições desproporcionais ao transporte privado individual por aplicativos e reconheceu a competência legislativa federal sobre trânsito e transporte. A lei descrita invade competência privativa da União e restringe indevidamente a livre iniciativa, a concorrência e a escolha do consumidor. A alternativa A é a resposta oficial.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B invoca competências concorrentes de consumidor e saúde para disciplinar matéria central de trânsito e transporte, além de não sanar a restrição desproporcional.
  • C: A alternativa C atribui aos estados competência concorrente para legislar sobre trânsito e transporte, matéria privativa da União.
  • D: A alternativa D considera proporcional a proibição condicionada descrita, embora a restrição geral ao exercício da atividade viole a livre iniciativa e a concorrência segundo a jurisprudência do STF.
  • E: A alternativa E acerta a competência legislativa federal em parte, mas erra ao afirmar que regulamentar e fiscalizar esse transporte é atribuição exclusiva municipal, e mantém como constitucional a restrição material.
Pegadinha: Municípios podem regulamentar e fiscalizar aspectos locais do serviço, mas não podem impor proibição incompatível com a livre iniciativa e a disciplina constitucional da atividade.
Base: Constituição da República, arts. 1º, IV, 22, XI, e 170, caput e IV; STF, ADPF 449 e RE 1.054.110 (Tema 967).
Questão irmã: Lei estadual pode proibir o transporte individual privado por aplicativo até que cada município autorize expressamente o serviço? Gabarito: Não. A restrição invade competência da União e viola a livre iniciativa, conforme a jurisprudência do STF.

Fonte: MP/RJ 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q8oficialResposta: C

Conceito: O STF afastou doações eleitorais por pessoas jurídicas, mas preservou doações de pessoas naturais e o uso de recursos próprios dentro dos limites legais.
Raciocínio: Na ADI 4.650, o STF julgou inconstitucionais normas que autorizavam doações de pessoas jurídicas a partidos e campanhas, por incompatibilidade com a democracia e a igualdade política. A decisão não estendeu a vedação às pessoas naturais nem proibiu o autofinanciamento por candidatos, que permanece sujeito aos critérios legais vigentes. A alternativa C está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A afirma proibição total de recursos próprios, conclusão que não foi adotada pelo STF na ADI 4.650.
  • B: A alternativa B estende a vedação às pessoas naturais que exerçam atividade empresarial, embora a decisão tenha afastado doações de pessoas jurídicas.
  • D: A alternativa D diz que as doações empresariais permaneceram válidas até novo marco legal. A decisão do STF afastou a autorização legal, com os efeitos definidos no julgamento.
  • E: A alternativa E reconhece liberdade de expressão política das empresas como fundamento para validar doações empresariais, posição rejeitada pelo STF.
Pegadinha: A vedação incidiu sobre pessoas jurídicas; não se confunde com doações de pessoas físicas nem com recursos próprios do candidato, sujeitos a limites legais.
Base: Constituição da República, arts. 1º, caput e parágrafo único, e 14; STF, ADI 4.650/DF, Tribunal Pleno, julgamento em 17.9.2015.
Questão irmã: A ADI 4.650 proibiu também doações eleitorais feitas por pessoas naturais. Certo ou errado? Gabarito: Errado. A decisão afastou doações por pessoas jurídicas.

Fonte: SEMEC PORTO VELHO/RO 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br

10.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • O art. 97 da CF/88 estabelece a reserva de plenário.
  • A Súmula Vinculante 10 alcança o afastamento implícito de norma por órgão fracionário.
  • A ADPF é subsidiária, conforme a Lei nº 9.882/1999.
  • A solução pacífica dos conflitos é princípio das relações internacionais do Brasil.
  • A requisição por perigo público iminente admite indenização ulterior se houver dano.
  • Habeas corpus protege a liberdade de locomoção.
  • O art. 37, caput, reúne legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
  • O TCU fiscaliza a aplicação de recursos federais transferidos a estados e municípios.
  • O caráter contributivo do regime próprio não afasta automaticamente a responsabilidade disciplinar.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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